sábado, 5 de outubro de 2013


Hotel

Caroline  ficava sentada em frente a um hotel todos os dias a mesma rotina, pegava um livro e se sentava na porta daquele Hotel não muito luxuoso.

Aquilo era como um hábito, saia do trabalho ás cinco e ficava ali até as oito da noite, para muitos era coisa de gente louca, para ela era uma maneira de se lembrar dele.
Bem... ela não gostava de comentar sobre ele, era um assunto muito pessoal mas se você insistisse  acredite, iria levar um tapa no meio da cara como aconteceu com umas outras pessoas atrás. Ele era o super- herói dela era uma inspiração. E porque ela se sentava todos os dias ali? Irei te contar mas não comente com mais ninguém pois, se ela descobrir sobre isso acho que eu não estaria aqui para testemunhar.

Esse super-herói era na verdade seu pai, sua inspiração seu canto de aconchego, sua vida ou uma parte dela. Naquele mesmo hotel que seus pais se conheceram e foi no mesmo lugar que se separaram, mas não se separaram de uma forma de que ela pudesse vê-lo nos finais de semana, ele se foi de um jeito físico, mas nunca espiritual.

O super-herói se foi em uma noite chuvosa e fria, com muita neblina não dava para enxergar muita coisa naquele local, e lá estava ele com sua mãe revivendo o dia em que se conheceram em seu aniversário de casamento, até que (como sua mãe lhe contava) um carro cortou a escuridão que lá fazia e os faróis vieram na direção deles, não tiveram tempo de nada apenas dele cobrir sua esposa com os braços, e a protege-la.

Quando eles estraram em coma Caroline estava no hospital vendo seus pais na UTI a situação era grave pelo acidente, dois dias depois houve a terrível noticia, ela não gostava de falar dessa parte até porque é muito trágica. Seu pai havia falecido e apenas sobrou sua mãe. Ela dizia que parecia que uma parte de si havia indo embora, que uma parte de seus sentimentos havia sido arrancada brutalmente de seu peito e só restava a outra metade que estava deteriorada, e ela forçava para que ela se recuperasse.

Parecia que deus ouviu suas preces e sua mãe saiu do hospital depois de um mês em coma, mas ainda há sequelas, como tudo tem uma consequência sua mãe teve uma profunda depressão até que foi obrigada a ir em um centro psiquiátrico para se tratar por causa de sua ‘’loucura’’ absurda.

Agora Caroline estava sozinha apenas morando em um apartamento mofado, indo trabalhar as sete e voltando a cinco e como de costume ficar sentada em frente de um hotel como tudo começou.

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